• Thiago Garcia

Turminha barra pesada aprontando mil e uma confusões!!

Atualizado: Fev 19


Após assistir "Aves de Rapina e a fantabulosa emancipação da tal Arlequina", a sensação que fica é daquele filme mais ou menos igual que viamos na sessão da tarde, quer era ruim, mas era bom.


Obviamente, que esse review vai conter Spoilers, seja da trama, personagens ou cenas específicas. Se você pretende assistir ao filme sem saber de nada, como eu fiz, pare aqui. Depois do ponto de vista, vamos resumir o filme, então... É por sua conta e risco a partir daqui!


Você continuou! Vamos ao review. O filme da Arlequina... Sim... Esse filme é da Arlequina!

Esqueça as Aves de Rapina... Elas deveriam ter sido inseridas como "Easter Eggs", aquela boa referência do que está por vir, ou do que já existe, na ambientação da trama da Arlequina.

Como em Esquadrão Suícida, a personagem se sustenta e rende bons momentos. As cenas de luta com mortais e estrelas remete diretamente ao desenho em que foi criada (sim, caso você não sabia, a Arlequina não apareceu primeiro nas HQs, ela foi criada para o desenho dos anos 90 do Batman), ou a sua movimentação nos jogos da série Arkham do Batman. São muito bem feitas e coreografadas até o momento que ela tem que interagir com as Aves de Rapina em si.


O filme é interessante e realmente aborda o final de relacionamento, ampliado em 100x devido a natureza desequilibrada da personagem. Exageros como explosões estilo Michael Bay não estragam sua imersão, mas incomodam um pouco, como o fato de que você deveria ser "obrigado" a achar "fodona" a personagem por caminhar com a Ace Chemicals explodindo em várias cores ao fundo. Muitos vão falar "esse é o momento de liberação, o ponto final, do seu relacionamento com o Coringa"... Show! Mas isso sendo feito, da mesma forma, com ela sentada no chão, rindo, faria um efeito muito mais condizente com o que vimos em Esquadrão Suicida e no filme em si até o momento que isso acontece.


Em contra-partida, a sequência de resgate da Cassandra Cain na delegacia é algo 100% Arlequina, muito bom de se ver e acompanhar, além do fato da luta das celas ter todos os ingredientes básicos da personagem. As cenas onde a Arlequina está sem as outras "personagens principais" do filme são em grande sua maioria muito boas e engraçadas.



Vamos falar do que seria a outra parte do filme, as Aves de Rapina?


Renee Montoya, tem uma cena muito boa mostrando o quanto ela é perspicaz, reconstruindo a cena de um crime (cometido pela Caçadora), no maior estilo CSI, mas esse estilo de cena é completamente perdido e esquecido durante o restante do filme, restando apenas a policial de rua com problemas de falta de reconhecimento e alcoolatra. Achei a atriz escolhida um pouco velha para a personagem, mas isso não influenciou na ação ou nas cenas que participou.


Helena Bertinelli, a Caçadora, começa como uma Badass, mostrando como ela é bem treinada e capaz, demonstrando ser a que mais tinha habilidades de luta corpo a corpo na cena de luta do grupo (que irei falar mais abaixo). Sua origem é um pouco modificada, mas eu realmente gostei do que foi feito. Foi então que o filme resolveu forçar uma graça, com um deslocamento no grupo que beira uma personagem retardada, querendo falar sua frase de efeito e sendo sempre interrompida.


Dinah Drake, a Canário Negro, começa como uma cantora, e o filme é delicado o suficiente para dar a entender que ela tem o poder do grito, quando ao soltar um agudo muito alto, ela quebra uma taça a distância. Em seguida, mostra como ela é boa de luta ao bater, sem dificuldade, em dois capangas, salvando a Arlequina. Sendo funcionária do vilão e uma espécie de musa, acaba promovida a motorista particular durante a trama. Ela ajuda a Montoya com algumas informações, mesmo não querendo se envolver (só um pouco clichê), e está presente na luta final, com seu ápice sendo o grito da canário.


E agora o ponto chave da história, e o fator que reuniu o grupo: Cassandra Cain. Tá, o que une o grupo é o diamente com os dados da fortuna dos Bertinelli, a família assassinada da Caçadora, mas ela é a personagem que movimenta a trama. Ela rouba de Victor Zsasz, outro capanga do vilão (que não sabemos se tem amor platonico por ele ou apenas tem problemas em compatilhar sua atenção), o diamante sem saber do que se tratava e o engole, após ser presa. Ela passa o filme todo como a menina indefesa a ser salva / usada / negociada até ter sua "emancipação" no final do filme, na cena com o vilão Máscara Negra.


Acham que isso foi uma introdução a cada personagem das Aves de Rapina?

Não, isso é a participação delas no filme. Muito pouco!


Se removermos as Aves de Rapina e colocarmos uma motorista, uma assassina e uma policial, se unindo a Arlequina para defender uma ladra juvenil, o filme funcionaria igual, ou até melhor, já que o pouco tempo gasto com as outras personagens poderia ser ainda menor. Não foi essencial serem as Aves de Rapina. O papel da Harley só ela poderia desempenhar, mas das outras, qualquer outro personagem faria.

O ritmo do filme é de Sessão da Tarde, com a Arlequina e sua "turminha barra pesada aprontando mil e uma", "entrando na maior fria", "vivendo loucas aventuras" com "um prato cheio de emoção" que "agora só ela pode resolver esse problema". Quem ler o resumo do filme abaixo, vai conseguir encaixar essas frases facilmente no filme!!!


A luta final não foi nem de longe empolgante. Esperamos o filme todo por essa reunião e quando finalmente acontece, não é nada de mais. O ambiente escolhido, uma casa maluca de um parque abandonado, poderia ter um tom mais divertido da parte da Harley, ou com um uso melhor das habilidades das outras personagens. O destaque até quase o final da sequência, são as habilidades da Caçadora. No final da luta, a Canário Negro aparece e o efeito utilizado para seu grito é foi o mesmo da série Arrow da CW.


Temos ainda uma perseguição que, mesmo contando com um pouco de envolvimento da Caçadora, tem a Harley sendo a Arlequina que conhecemos. Novamente, uma cena onde ela não teve tanto contato com as Aves de Rapina sendo realmente interessante. E no final, a Cassadra deixa de ser a menininha indefesa e se utiliza de sua habilidade para ajudar a Arlequina a por um final na ameaça, se emancipando também.


Os dois vilões principais, Máscara Negra e Victor Zsasz, passam exatamente o que devemos esperar deles, o quanto são desequilibrados. São vilões bons para o contexto do filme.


O estúdio indiciou o filme como Rated R, maiores de 18 nos EUA, 16 aqui no Brasil. Mas isso foi um erro. Nenhuma, mas NENHUMA cena onde conteúdo adulto foi realmente necessário. Ossos quebrados sem sangue, Arlequina se drogando, mutilações... Isso poderia ser mostrado igual sem ser explicito, dando a entender, tornando o filme aberto a todos os públicos e com o alcance ao público que gosta da personagem.


Ao final deste artigo, Arlequina: Aves de Rapina, o novo título do filme, está com uma bilheteria inferior ao esperado, conseguindo ser inferior a Lanterna Verde, mostrando o erro do estúdio sobre a escolha de faixa etária, erro no nome do filme, erro de não fazer um filme apenas da Arlequina.


O filme é pior do que Lanterna Verde... Não! Pior do que Esquadrão Suicida... Não!

Mas realmente, ele poderia ter sido bem melhor do que foi. E como disse no começo do texto, é aquele filme ruim que é tão agradável de ser ver, que acaba se tornando bom.

Ainda mais com a Arlequina mostrando como ela pode ser interessante se dirigida da maneira correta no novo Esquadrão Suicida de James Gun.


Abs a todos e abaixo segue o resumo do filme!

Nota do Filme 03/05


Resumindo o filme:

Após ser quicada pelo Coringa e explodir a fábrica que os criou, a Arlequina perde seu salvo conduto para o submundo de Gotham, sendo assim, agora todos querem um pedaço dela. Harley vai fugindo de seus perseguidores, algumas vezes por talento, outras pela participação oportuna de uma das outras personagens do filme.

Paralelamente, o Máscara Negra, grande vilão do filme, está atrás do diamante dos Bertinelli, nele estão informações sobre a fortuna da antiga familia mafiosa que comandava Gotham, até ser exterminada por uma familia rival.

Enquanto isso, Helena caçava e matava todos os envolvidos pela chacina de sua família, sem aparentemente saber sobre o diamante. Esses assassinatos estavam sendo investigados por Montoya e seu parceiro, que foi retratado um zero a esquerda. Dinah era empregada de Máscara Negra, primeiro como cantora, depois como Motorista / Segurança.

Voltando a trama principal, após conseguir localizar e recuperar o diamante, ele é roubado de Victor Zsasz por Cassandra Cain, uma ladrazinha de rua que morava no mesmo prédio da Canário Negro. Cassandra é presa pela polícia e enquanto escondia os roubos, engoliu o diamante.

Enquanto isso, Arlequina é levada ao Máscara Negra e momentos antes de ser morta, escuta uma conversa entre ele e Victor sobre a perda do diamante. Ela se oferece para recuperá-lo. Máscara Negra concorda e a libera, mas para sacanear a Harley, coloca uma recompensa sobre Cassandra, atraindo vários mercenários de Gotham a busca da garota.

Harley invade a delegacia, e nesse ponto temos as cenas de luta mais Arlequinas do filme, libertando-a e derrotando uns motoqueiros. Ela fica com a garota em sua casa até que ela é explodida por mais um de seus desafetos. Depois de ter sua casa explodida, ela resolve fazer negócio com Mascara Negra, levando a garota para uma casa de espelhos em um parque abandonado (que lembrava bastante a do desenho).

Nesse momento temos a reunião das Aves de Rapina... Montoya é avisada por Dinah sobre a localização da garota e chega ao parque bêbada, apenas para tomar um pau da Harley. Dinah chega logo depois com Victor no local a mando de Máscara Negra, mas após render a Arlequina para pegar a Cassandra, tem uma arma apontada em sua cabeça por Victor, que percebe que ela está passando informações a Montoya (e avisa Máscara Negra). Helena mata Victor antes que ele matasse Dinah, pois ele foi um dos responsáveis pela chacina de sua familia e o último que restava vivo. Depois disso, Montoya reaparece. Mas tudo não acabou, Mão Negra chega ao parque com vários homens para pegar o diamante e matar todos no processo. Depois de um discurso bem meia boca da Arlequina, elas resolvem se unir para salvar a garota (e se salvar).

Mesmo com os capangas armados com armas de fogo, as 4 vão superando-os, com cenas de luta razoavelmente bem coreografadas se aproveitando do cenário casa maluca, com pula pula, mãos de borracha e tudo mais. Aqui, abrimos licença poética, mesma utilizada nos filmes do Deadpool, para a troca de sapatos por patins da Harley em segundos.

O destaque fica para a Caçadora, que demonstra ser realmente uma combatente treinada. A Arlequina vai na zoeira, enquanto que Canário Negro estava razoável e a Montoya era puramente briga de bar. Após derrotar metade do exército de capangas, um deles consegue retirar a Cassandra da guarda das outras "heroínas", colocando-a no carro do Máscara Negra, que sai do local com a meninas e APENAS SEU MOTORISTA (conveniente é pouco).

Nesse momento, finalmente a Canário Negro brilha, usando seu grito para acabar com o resto dos capangas e ainda servir de impulso para a Arlequina, de patins, perserguir o carro do vilão. Depois de mais uma cena boa da Harley, ajudada pela Caçadora, o carro se acidenta e o Máscara Negra foge para um pier junto, carregando a Cassandra.

Como é característico de Gotham em qualquer mídia, a névoa toma conta do local, ficando um jogo de gato e rato, com a Arlequina perseguindo o vilão pelo som da voz. Quando finalmente o encontra, ela desperdiça o único tiro que tinha, ao confundí-lo com uma das estátuas. É ai que Cassandra surpreende, ela havia roubado uma granada que estava na Casa dos espelhos, removendo o pino e colocando-a no bolso do Máscara Negra. Enquanto ele se desespera para encontrar a granada Arlequina o empurra do pier e ele explode.

Depois temos mais uma cena delas comendo algo, conta que o diamante foi recuperado e o dinheiro divido entre elas. Então a Arlequina foge com Cassandra, tornando-a sua aprendiz.

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